terça-feira, 11 de outubro de 2016

JUDEU AUTÔNOMO: Afinal de contas, Yeshu'a aboliu ou não a Torah?

Texto original no Blog: JUDEU AUTÔNOMO: Afinal de contas, Yeshu'a aboliu ou não a Torah?: por Mashmid 

Primeiramente, Yeshua diz:
(Mateus 5:17) - Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
(Mateus 5:18 ) - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um yud ou um kotz se omitirá da Torah, sem que tudo seja cumprido.
"Até que céu e a terra passem".
O céu está aí e a terra sob nossos pés, até que o céu e a terra passem a Torah está vigente.
Mas, por que então os cristão dizem que a Lei foi Abolida? É simples, por pura má interpretação e falta de utilização de Hermeneutica, usando textos fora do contexto.
Outra coisa que contribui com isso é a falta de conhecimento sobre a cultura judaica. Eles não percebem que mesmo os textos da Brit Chadasha se utilizam de expressões judaicas.
A dificuldade de se fazer distinção por parte dos cristãos
Os cristãos não conseguem dividir as coisas, não entendem que há alianças distintas e o que é prometido a uma pessoa não se interpreta a outra.
A promessa que D-us fez a Avraham não é a mesma promessa que D-us fez a David.
Há diversidades de alianças, a Adâmica, Noética, Abraâmica, Mosaica, Davídica,etc..
Cada promessa é diferente e é específica à pessoa, não podemos utilizar uma promessa feita a outra pessoa para se referir a nós, a não ser que estejamos inclusos na promessa.
Uma promessa específica ao povo judeu é sobre a herança da terra de Kinaan a qual D-us fez a Avraham.
E outra promessa feita a Avraham que inclui aos gentios é aquela que diz : "Em teu nome serão benditas todas as famílias da terra".
Ou seja, a herança da terra de Kenaan é para os gentios também? Claro que não, pois o texto é claro e refere-se à promessa como sendo especificamente aos descendentes de Avraham, não no sentido figurativo mas no literal.
O início da Segunda Aliança
Quanto foi que deu início a segunda aliança?
O Brit Chadasha deu início logo após a morte de Yeshua, pois antes de sua morte estávamos ainda sob a Lei de purificação através de sangue de animais.
Após a morte de Yeshua iniciou-se a purificação através de seu sangue.
Enquanto um testador vive não há valor o testamento, só entra em vigor após a morte do testador.
(Hebreus 9:16) - Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. (Hebreus 9:17) - Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?
Então após a morte de Yeshua, há algum texto que diz que os discípulos dele ainda guardavam a Torah?
Veremos em breve.
Os cristãos acreditam mais nos Fariseus do que nas escrituras
Normalmente encontramos cristãos que dizem que Yeshua não se preocupou com a guarda de Shabat.
Por que isso acontece? Porque os cristãos não percebem que seguem ao fermento dos Fariseus.
Yeshua diversas vezes foi acusado de transgredir ao Sábado, mas quais foram as acusações utilizadas pelos Fariseus?
(Mateus 12:10) - E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?
Eles acusavam a Yeshua de curar nos sábados. Mas onde está escrito na Torah alguma proibição de se curar no Sábado?
Por acaso há alguma lei proibindo a cura no Sábado?
Será que os evangélicos não percebem que eles estão apregoando os ensinamentos dos Fariseus dizendo que curar no Sábado é transgressão sendo que não existe Lei para proibir isso?
Mas não foi só a Cura no Sábado a acusação dos Fariseus.
(Mateus 12:1) - NAQUELE tempo passou Yeshua pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer.
Outro texto que é utilizado pelos cristãos, novamente eles utilizam as acusações dos Fariseus, sem perceber que estão sendo discípulos dos Fariseus da época.
Por falta de conhecimento da cultura, os cristãos não sabem que Yeshua agiu conforme o que é ensinado nos textos Talmúdicos, de que a vida é mais importante do que o próprio Shabat.
Por isso médicos, enfermeiros, soldados e policiais não são proibidos de trabalhar em Shabat, pois são funções as quais não podem parar nunca, e são liberados por isso.
Uma das proibições de Shabat é de que não se pode fazer jejum em shabat e não pode ficar sem comer algo em shabat.
Os discípulos de Yeshua não fizeram nada além do que é permitido quando a vida está em primeiro lugar.
Yeshua utiliza-se das leis sacerdotais , pois os sacerdotes faziam o serviço do templo mesmo no dia de Shabat e eram livres para o fazer, pois um mandamento maior sobrepõe o menor.
Ele também se utilizou do texto de quando David come os pães da proposição o qual era permitido somente para os sacerdotes comerem, mas como a vida de David dependia disso, então sempre a vida em primeiro lugar.
Só que os cristãos não sabem disso, Yeshua não fez nada diferente do que ensinam os sábios do Talmud, sendo assim ele está enquadrado nos ensinamentos.
Mas como é que um cristão vai saber disso se não conhece nada de judaísmo? Vão continuar acreditando no fermento dos Fariseus.
Bem, mas voltando ao assunto anterior sobre o início da Nova Aliança... após a morte de Yeshua inicia-se a Nova Aliança e se Yeshua tivesse ensinado alguém contra Shabat, então o que dizer do texto a seguir?
(Lucas 23:56) - E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.
Elas eram judias e Yeshua não ensinou a elas a se apartar da guarda de Shabat.
Não estamos dizendo que os gentios tem obrigação disso, estamos dizendo é que o judeu tem essa aliança com D-us, e D-us diz : "uma aliança perpétua entre mim e vós".
E isso aconteceu já na Nova Aliança, ou seja, após a morte do testador.
A dificuldade dos cristão com respeito a Hermenêutica
Assim como acontece com as Alianças, assim também com as epístolas, os cristãos têm dificuldade em perceber quando uma epístola é dirigida a determinada pessoa ou grupo de pessoas.
Da mesma maneira que eles não entendem que nós não apregoamos a obrigação das leis judaicas aos gentios, eles também não entendem que os gentios não devem apregoar a quebra dos mandamentos aos judeus.
Por exemplo, uma epístola que é dirigida aos gentios que eles querem interpretar que é dirigida também aos judeus é a Epístola de "Aos Gálatas".
Como o próprio nome já diz, a epístola era para os "Gálatas" e não para judeus, pois os gálatas não eram judeus.
Vide o link da Wikipedia : [url=http://pt.wikipedia.org/wiki/Galácia]Galácia[/url]
Parece que, por volta de 278-277 a.C., um grande número de celtas da Gália ou gauleses, que os gregos chamavam de Galátai (daí o nome desta região), atravessaram o Estreito do Bósforo e se estabeleceram nesta região.
Segundo o que o próprio Paulo diz, ele foi enviado aos gentios e não aos judeus, portanto as epístolas de Paulo são todas objetivadas aos gentios.
(Gálatas 2:7) - Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão (gentios) me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (judeus)
(Gálatas 2:8 ) - (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios),
Nessa epístola Paulo ensina aos gentios a afastarem-se dos Judeus crentes em Yeshua que os obrigavam a circuncisão e a guarda das leis judaicas.
Paulo não diz que os judeus não devem guardar às leis, o que ele diz é para que gentios não guardem as leis que foram obrigadas aos judeus, visto que os gentios não são participantes dessas alianças.
(Gálatas 2:3) - Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se;
Com a pregação dos judeus de Jerusalém que importunavam aos gentios de que deveriam se circuncidar e guardar às leis judaicas, então os gentios ficaram com dúvidas se seriam salvos sem guardar as leis judaicas, sendo assim, estavam fracos na fé, duvidando se apenas crer em Yeshua seria o suficiente.
Porque os esses judeus apregoaram a eles que se eles não se circuncidassem não se agregariam às promessas de Avraham.
Essa foi a preocupação de Paulo, pois havia judeus obrigando aos gentios à conversão total ao judaísmo, para que se tornassem participantes das promessas de Avraham.
Mas Paulo fala que a promessa feita a Avraham foi pela fé. Sendo assim, os gentios são justificados pela mesma fé que teve Avraham.
(Gálatas 3:8 ) - Ora, tendo a Escritura previsto que D-us havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.
Mas preste atenção, o texto diz "havia de justificar pela fé os gentios". O texto não diz "judeus" , diz "gentios".
Pois as alianças feitas com Israel são "perpétuas" e como disse Yeshua "até que o céu e a terra passem".
A Torah foi dada aos judeus e não aos gentios, portanto, o gentio é justificado exclusivamente pela fé, mas isso não exclui os judeus de suas alianças com D-us.
Sabendo também que há leis para os gentios, como proposto no concílio de Jerusalém.
Novamente atente que a epístola de aos gálatas se dirige aos "gentios", dizendo sobre a justificação pela fé "DOS GENTIOS".
Mesmo com as alianças , os judeus crentes em Yeshua não se dizem justos por causa dos mandamentos seguidos, pois como foi dito "não há um justo que faça o bem e não peque".
Somos justificados no Mashiach.
Para que se preocupar com rituais?
Os rituais não foram criados por Moshe (Moisés), mas antes foram dados a Moshe, o qual recebeu de D-us esses rituais.
Portanto, quem despreza a isso despreza a D-us que o deu.
E por falar em ritual, por acaso, o que é o Batismo!?
Não são rituais o Batismo e também a ceia que é chamada pelos cristãos de santa-ceita?

Era Paulo um enganador?
Judeus que são contra Yeshua, geralmente utilizam os textos que dizem que Paulo se fez judeu para judeus.
Eles afirmam que Paulo era um enganador e fingido, e que se disfarçava de judeu, fingindo guardar a Lei.
E o pior de tudo é que são os cristãos os que dão margem a essa interpretação, dizendo também os cristãos que Paulo se fazia de judeu.
É o mesmo que o chamar de fingido e enganador.
Estando eu em um debate, um evangélico utilizou-se do texto a seguir para dizer que Paulo se fazia de judeu.
E o pior é que o texto é tão nítido que não entendo como não conseguem entender.
Só que veja a interpretação real do texto:
(Atos 21:21) - E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei.
(Atos 21:22) - Que faremos pois? em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo.
(Atos 21:23) - Faze, pois, isto que te dizemos: Temos quatro homens que fizeram voto.
(Atos 21:24) - Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei.
O texto diz: " E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés".
Novamente estamos no mesmo dilema do fermento dos fariseus, só que agora são os informantes que estão acusando a Paulo de não guardar a Lei.
Esses informantes disseram aos judeus em Jerusalém que Paulo andava ensinando contra a Lei e que ensinava aos judeus a se apartar das Leis judaicas.
O interessante é que os cristão assim como crêem nos Fariseus, também crêem na mentira desses informantes, que acusavam a Paulo ilegitimamente.
O texto diz: "Faze, pois, isto que te dizemos: Temos quatro homens que fizeram voto."
Os chaverim que estavam com Paulo dizem a ele para que tomasse esses quatro homens que estavam de voto.
Esses quatro homens estavam fingindo que estavam de voto ou realmente estavam de voto?
O texto continua : "Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça"
Paulo deveria tomar esses quatro homens com ele, e santificar-se com eles.
Paulo se santificaria verdadeiramente ou fingiu ? Ele pagaria os gastos da tosquia dos homens por fingimento?
Diz o texto : "e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei. "
Nada há daquilo que foram informados, ou seja, o que disseram não existe.
Há traduções mais claras do que essa, que dizem : "e todos ficarão sabendo que não é verdade o que informaram".
Os quatro homens e também Paulo, não estavam fingindo a situação, eles realmente estavam de voto e se santificando.
E para mostrar que os informantes estavam realmente mentindo, ele faz segundo o conselho dos chaverim que estavam com ele.
"Mas que também tu andas guardando a lei", para mostrar que ele também guardava a lei.
A Brit Chadasha novamente afirma que Paulo fez voto e que a verdade era que continuava guardando a Lei, mesmo estando na Nova Aliança.
A Brit Chadasha fala também de um voto particular de Paulo e será que ele estava fingindo? Vejamos o texto?
(Atos 18:18 ) - E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto.

Como diz o texto: "tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto".
Novamente eu faço a pergunta : "Era Paulo um enganador?"
Para que se preocupar com alimentação?
Um rapaz evangélico me disse que Yeshua purificou a todos os alimentos, e que agora todos os alimentos são permitidos de se comer.
O texto utilizado foi este:
(Marcos 7:19) - Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?

Ele se baseou na expressão : "ficando puras todas as coisas".
Eu perguntei a ele se isso era literal e ele disse que sim.
Então perguntei se o debate entre Yeshua e os opositores era concernente à alimentação e ele respondeu que sim.
E perguntei "como foi que se iniciou esse debate?". Mas não obtive respostas.
Mais uma caso de versículo isolado sem contexto.
O debate de Yeshua iniciou-se com a acusação de que os discípulos de Yeshua comiam sem fazer Netilat Yadaim (a lavagem das mãos).
O debate não era a respeito do que comiam, não era a comida em si, mas sim sobre o comer sem lavar as mãos.
Yeshua diz que o alimento sem lavar as mãos não é o que contamina ao homem (no espírito), mas sim o que sai do coração. Ou seja, os maus pensamentos.
Como diz: "do que fala a boca está cheio o coração".
Se a passagem fosse literal, então, o que é que sairia do coração senão sangue?
Até a palavra "coração" nesse texto é figurativa, pois todos sabemos que os pensamentos são desenvolvidos no cérebro e não no coração.
O debate era sobre Netilat Yadaim (lavagem das mãos) e não sobre alimento.
Cheguei a perguntar ao rapaz : "Se o que entra não contamina, então, posso comer sangue?
Novamente ele não respondeu.
Será que não percebem essas coisas?
Outra passagem interessante está em Atos 10, quando Pedro tem a visão de animais da terra, e ouve uma voz dizendo : "Pedro, mata e come".
Pedro responte : "De modo nenhum, senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda"
O interessante é que mesmo que D-us dissesse a Pedro para transgredir uma lei, Pedro ainda diria "De modo algum". Rs
Daí dá para ver o quanto ele era zeloso quanto a esse mandamento.
Mesmo sendo visão figurativa, pois figurava a pessoa de Cornélio, no instante em que Pedro tem a visão ele pensa ser literal e que realmente deveria matar e comer.
Só depois entendeu que a visão se tratava de Cornélio, para que ele não chamasse de impuro ao gentio o qual D-us havia santificado.
Então fica claro que Pedro ainda seguia aos mandamentos concernentes aos alimentos, e isso vivendo já na Nova Aliança, ou seja , na famosa "graça" citada pelos cristãos para desmerecer a Lei.
Até a palavra "graça" é incompreendida pelos cristãos e entendem "graça" como sendo algo contrário a Lei.
Não sabendo eles que a Lei foi dada pela graça de D-us.
Utilizam sempre o versículo que diz: "O fim da Lei é Cristo".
Só que não sabem que no texto grego a palavra "télos" pode ser traduzida como "finalidade".
Ou seja, "A finalidade da Lei é o Messias".
Por que a finalidade de Lei é o Messias?
Porque desde Bereshit (Gênesis) até o último profeta, todos apontam para um único caminho que é o Mashiach. A finalidade da Lei é apontar ao Mashiach.
Yeshua disse : "(Mateus 11:13) - Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João."
O que profetizaram até João ? Profetizaram sobre o Messias.
Pois a finalidade de toda a lei e dos profetas sempre foi apontar ao Messias.
O último a profetizar sobre o Messias foi João.
E ainda tem gente que interpreta que isso significa o fim dos profetas, ou seja, dizem que após João não haveria mais profetas.
Mas será que não enxergam o que lêem? Veja o que diz o texto:
(Atos 21:10) - E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo;
Daí podemos ter uma idéia de como é deturpada a interpretação desses cristãos.
O mal de tudo é que os cristãos já têm suas opiniões cauterizadas por tanto ouvir idéias tendenciosas.
Até as traduções são tendenciosas. As traduções tendem aos ensinamentos cristãos, fazendo de tudo para insuflar suas doutrinas na mente de seus seguidores.
Tornando-os pequenos, ou melhor dizendo, os menores no reino.
Como foi dito : "Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus;"
E assim ensinam contra os mandamentos (Torah).
Espero que abram as vossas mentes e não sejam como uma ostra cuja única defesa é se fechar.
Se é que isso é defesa. Ou não sabeis que a ostra só produz a pérola quando é ferida?
Talvez o que repute por mal é na verdade o teu bem.


Shalom a Todos!!!!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Korbanot (Sacrifícios)

Considerando korbanot (sacrifícios) como rituais que aproximam o ser-humano de D’us, analogicamente podemos assumir que esta prática é sempre necessária. Vaycrá (Levítico) chama o povo para ser separado, distinto entre povos e santificado para D’us.
Em sua carta aos Hebreus, a Brit Chadashá (Novo Testamento) relata analogamente, através de seu ator, a posição de Yeshua como Kohen Eterno (Hebreus 7:21), ou seja, embora agora exista um Sacerdote proveniente de tribo diferente, ou seja, fora da linha de Aharon (Arão), verificamos que Yeshua passa pelo processo do sacrifício para que o Objetivo da Torá passe a ser eficiente.
Em seu comentário da Brit Chadashá, David Stern escreve sobre a mudança de Torá: “O termo metathesis (do grego nomou metathesis – Mudança de Torá) implica na retenção da estrutura básica da Torá, com alguns de seus elementos sendo recompostos, porém não abolindo a Torá como um todo”. Com isto, podemos entender que o sacrifício de Yeshua foi definitivo, pois seu sangue libertou seu povo para sempre, uma vez que sem sangue, não há remissão de pecados (Hebreus 9:22).
Esta mudança da Torá quanto aos sacrifícios não faz com que os sacrifícios ainda não tenham uma função de entendimento em nossas vidas. Como declara o autor de Hebreus no capítulo 8, [...] se a primeira aliança não tivesse dado espaço para a descoberta de erros, não haveria a necessidade de uma segunda aliança [...]. A Torá tem em si uma sombra das coisas boas que virão (Hebreus 10:1), ou seja, ao navegarmos nas palavras do Eterno conseguimos perceber que o povo foi sendo preparado para que conceitos fossem introduzidos e praticados, a fim de levar o ser-humano a ter um entendimento de um breve porvir.
Partindo do leve para o pesado, se por meio de sangue de animais a pureza exterior do homem era restaurada, quanto mais o sangue do Messias, que tem o poder de purificar a alma (Hebreus 9:14).
Quando D’us nos chama ele estabelece: “Sejam santos, pois eu Adonai, o D’us de vocês, sou santo”. O sacrifício de Yeshua nos aproximou do Pai, porém existem regras, ordenanças e mandamentos para que possamos persistir em Suas Tendas. Quando nascemos de novo, em Espírito, não prepondera mais em nós a natureza do pecado, porém ainda temos uma tendência para o mal, já que vivemos em um corpo predestinado a morte. Sacrifícios são necessários todos os dias para que não percamos aquilo que pela Graça nos foi dado, e esta cerca que nos protege é a Santa Lei de D’us.

Texto baseado em trabalho do próprio autor que aqui escreve.

Rubens Rodrigues
07-04-2014 

sábado, 29 de março de 2014

O Administrador Infiel

No texto de Lucas, capítulo 16:1-15, é apresentada a parábola do Administrador Infiel. Basicamente, trata-se de uma história em que um homem rico empregou uma pessoa como administrador de seus recursos. Todavia, chegam acusações ao empregador de que este administrador estava desperdiçando recursos, então o homem rico decide demiti-lo e impõe que o administrador preste contas a respeito de seus atos desonestos.
Mediante este cenário, o administrador, conhecendo suas limitações, decide fazer algo que possa garantir seu futuro mediante às pessoas após perder seu emprego. Ele vai a cada devedor de seu mestre e reduz a dívida nominal que cada um tinha com o homem rico. Com isto, ele intenta ter feito amigos que o acolherão em quando estiver desempregado.
Por esta atitude, inusitadamente o homem rico aplaude o administrador, então. Yeshua instiga na parábola: “Porque os mundanos possuem mais sekhel que quem recebeu a luz ao lidar com o mesmo tipo de pessoas” (Lucas 16:8). Sekhel, conforme descrito no verso, significa inteligente, esperto (Bíblia Judaica Completa).
De onde Yeshua faz esta analogia, uma vez que parece elogiar um ato desonesto? Bem, conforme Eclesiastes 7, vemos que o autor escreve no verso 15 que “há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade”. Estas comparações de justo e ímpio são muito constantes nas Escrituras. Em Provérbios, Salmos e Eclesiastes, podemos notar sempre uma partida para uma atitude ímpia, que resulta em algo ruim, e uma contrapartida de recompensa para a atitude do justo. Todavia, estes questionamentos persistem, conforme podemos ver, por exemplo em Jó capitulo 3 que, mesmo ao falar de uma vida melhor na morte, entendo por olam habá (mundo vindouro), quando diz “Ali está o pequeno e o grande, e o servo livre de seu senhor”, o contexto do capítulo trata de uma lamentação, aonde Jó amaldiçoa seu nascimento, questionando qual o sentido da vida quando se há desprezo, vergonha e injustiça, assim como, da mesma forma lamentou Jeremias.
Vejo que Yeshua paradoxalmente tenta inserir um princípio bom partindo de uma pessoa desonesta para tratar de um assunto também tão complexo que são riquezas em posse de justos. Ele diz: “Use as riquezas do mundo para fazer amigos!!!”. Fomos criados em união com o Messias para uma vida de boas ações e, de acordo com Pirkei Avot (Livro dos Pais), boas ações são amigos. Em diversos textos dos Evangelhos, vemos que investir no próximo é investir no mundo vindouro, pois “aquele que te vê em secreto, em secreto te recompensa”. Como também, “aquilo que fazemos pelo próximo, fazemos pelo Messias (Mateus 25). Com isto, comprovamos a parábola quando diz: “para que possam ser recebidos no lar Eterno”. Claro que esta parábola também tem um sentido humano que remete a “esperteza dos ímpios”, como podemos ver em Eclesiastes 11 quando diz: “Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra”.
Do princípio geral para o particular (K’lal Uf’rat): “Nenhum servo pode ser escravo de dois senhores” [...] “Vocês não podem ser escravos de D’us e do dinheiro”. Os fariseus amavam o dinheiro, como muitos de nós também amamos e nos posicionamos diante das pessoas de forma hipócrita, porém o Eterno conhece os corações (1Samuel 16:7, 1Crônicas 28:9).

Em minha opinião, a parábola do Administrador Infiel tem uma alusão terrena e espiritual embutidas. Terrena quando retira um princípio bom de um ato desonesto, e Espiritual quando trata das recompensas da boa aplicação deste princípio, que traz benefícios tanto terrenos quanto no mundo vindouro. Ela também dá uma direção no uso das riquezas humanas, tema este tão complexo na vida das pessoas. Como bem diz o Rabino Joseph Shulam: “O Entendimento é a Sabedoria aplicada”.

Shalom,

Texto baseado em trabalho do próprio autor que aqui escreve.

Rubens Rodrigues
29-03-2014

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Clamei o Teu nome com as Forças que eu tinha

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.

A estrada longa da religião que nos afasta da força, alma e poder. Os estilos, culturas, egos, visões e todo o amontoado de razões que deixa-nos longe um do outro.
Vivo para provar a falta de experiência da minha verdade, lançando um padrão que tampouco faz parte de um relacionamento com o Eterno.
Buscamos razões, explicações, conhecimento, segmentos e tudo aquilo que se encaixa no que queremos acreditar.
Então volto no tempo e me lembro que diante do Monte meu único desejo era te conhecer!

Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.



Rubens Rodrigues
21-10-2013

domingo, 9 de setembro de 2012

O Dízimo da Mente

Shalom a todos,

Hoje, quando eu estava a caminho do escritório, me peguei pensando em diversos assuntos correlacionados a Justiça. Logo penso que, uma vez que D’us se torna a nós aquilo que necessitamos em algum respectivo momento, haja vista que o Salmista compartilha: “Adonai é meu pastor, tenho tudo que necessito”; creio que Ele supre nossa mente e coração nestes momentos em que uma palavra, uma conversa ou uma relação faz-se necessária para que nossos questionamentos sejam supridos com a Verdade do Altíssimo.

Quando o povo de Israel vagava no deserto, e sabemos que isto foi comum durante centenas ou milhares de anos, havia a necessidade extrema de seguir regras e preceitos para que o povo prevalecesse mediante todas as dificuldades encontradas durante o processo de viver. Por obrigação ou necessidade, a unidade era necessária, uma vez que a vida de uma pessoa estava diretamente ligada ao que outra pessoas decidisse fazer para viver. Para que a harmonia e qualidade de vida pudesse existir, ainda que em aspectos mínimos, uma parte da minha vida deveria ser dedicada para que a vida ao lado pudesse existir.

Creio que, a maior prova dessa teoria, foi a aplicabilidade do dízimo na legislação judaica através da Lei de Moisés (repassada por D’us). Para que a sociedade prevalecesse, era de extrema necessidade que os bem sucedidos compartilhassem uma parte do que tinham para que os menos favorecidos pudessem, no mínimo, ter suprimentos e uma dignidade no meio do povo. Tenho uma teoria que diz que o dízimo é bilateral: Ao mesmo tempo que a pessoa que recebe é beneficiada pela benevolência de outrem, sendo então suprida pelo estatuto divino, a pessoa que o dá é beneficiada pelo desapego ao materialismo e a prática do amor que doa. Em minha opinião, isto é tão importante a ponto do Profeta Malaquias declarar que a falta desta prática pode ser considerada roubo a D’us, uma vez que é instituição Divina que uma parte daquilo que é dEle e Ele nos concede, seja utilizada para gerar equilíbrio entre a escassez e a abundância.

Partindo desta tese, Shaul (Paulo) diz aos colossenses na região turca que estas coisas, ou seja, os estatutos, as festas, as ordenanças, dentro tudo o quanto D’us instituiu ao seu povo no passado, são sombras às coisas futuras, cumpridas no corpo do Messias. Portanto, tais coisas dão forma a plenitude do caráter divino e são aprofundadas por Yeshua quando o mesmo aprofunda cada mandamento indagando sua abrangência espiritual.

Vivemos em um mundo injusto, porém temos um trabalho a cumprir. Embora temos objetivos no mundo e isto seja natural, isto não isenta nossa responsabilidade na constituição do Reino de D’us na Terra. Qual é o tempo que temos gasto em trabalho efetivo para que isto aconteça? Em que temos colaborado com a sociedade para impor a Legislação dos Céus? Temos suprido os levitas, viúvas e órfãos com a décima parte do nosso tempo para que alimentemos seus corações? Temos, de fato matado a fome do necessitado e vestindo os que estão com frio?

Enfim, um ser que nasce do Espírito e adquire a mente de D’us, este possui Sua natureza. E, se na metáfora de nossa vida saibamos da verdade de que D’us amou o mundo de tal maneira (o ímpio e o humilde) que entregou seu Único Filho, para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna, logo adquirimos a consciência daquilo que devemos fazer para cumprir nossa missão.

Que o Eterno D’us, e Único D’us, de Abraão, Isaque e Jacó vos abençoe, no nome de seu Filho Yeshua.

Rubens Rodrigues
09-09-2012


domingo, 18 de março de 2012

K’doshim (Povo Santo)



K’doshim tihiu ki kadosh ani Adonai Elocheichem (“Sede santos, porque Eu sou santo, o Eterno vosso D’us) – Lev. 19:1-2)


Ser santo é ser separado, cortado, sem vestígios, da parte a qual fazíamos parte (mundo), para que seja possível, novamente, a comunicação com o ETERNO. Ser santo é MANDAMENTO, é o molde do cidadão dos Céus.


Afinal, MANDAMENTO é algo que torna a liberdade paradoxa na esssência da linguagem. Porém, a alma o define como os limites da vida livre, uma vez que há a necessidade de ordem para que as coisas caminhem nos eixos. No passado Ele disse: "A Terra era informe e vazia", logo a "Luz" existiu e se separou das "Trevas". Em suma, não existe abertura para viver ao lado de D'us e, ao mesmo tempo, andar no obscuro da face do Abismo.

Há alguns que dirão: "Vivo nos costumes de Kena'an (Canaã), afinal para lá fui levado por meu D'us". Logo outros acrescentam: "Estou no Egito, sirvo ao Eterno na terra do Nilo". De fato, a humanidade vive nesse dilema e tenta justificar-se vivendo as próprias regras no cabresto denominado Religião, que é a parte do corpo que cria a Visão, levando a multidão a caminhar aos olhos de um sonhador.

[...]"HAJA LUZ"; e houve Luz, D'us viu que a Luz era boa, e D'us separou a Luz das trevas. D'us chamou à Luz Dia, e às trevas chamou Noite[...]

De fato, a Luz é separada das Trevas, logo quando a Luz caminha na Noite, ela clareia a vergonha da escuridão. Não há mistura entre as duas naturezas, uma vez que são completamente opostas. A riquiza do hebraico escreve a palavra K'doshim do radical KAD, logo ser santo é a radicalização de ser separado, cortado, totalmente para D'us.

Em Vaykrá (Levítico), Adonai prescreve uma série mandamentos focados à santidade, tais como:

  • Honra aos pais;
  • Guarda do Sábado (Vide que Yeshua o guardava e isso é MANDAMENTO de D'us, que poder tem a Igreja sobre isso?);
  • Fazer caridade a viúvas, estrangeiros e pobres;
  • Não furtar, não mentir, não ser falso;
  • Não jurar em falso pelo nome de D'us;
  • Não fazer acepção de pessoas;
  • Não andar com fofoqueiros;
  • Não odiar o irmão, mas repreendê-lo;
  • Ser testado e provado nos frutos;
  • Não fazer lacerações na carne nem marcá-la;
  • Não comer nada com sangue;
  • Não praticar advinhação nem predição do futuro;
  • Não procurar médiuns de espíritos ou feiticeiros, não se maculem com eles;
  • Tratar os estrangeiros chegados ao povo como se fossem da família;
  • Não adulterar, não ser pervertido, não cometer abominações sexuais.
... dentre diversos outros mandamentos implícitos nos mesmos. O fato é que, tais mandamentos interferem em nosso nível de santidade.



Olhamos a nossa volta e vemos diversos lábios proferindo o nome de D'us ou pseudo falando em nome d'Ele. De fato a boca fala do que o coração está cheio, porém as águas que brotam do mesmo, podem ser de Elohim ou Samael. Logo, a falta de santidade é permissiva e divinamente ironizada pelo Autor da Vida, conforme a boca do profeta: "Por isso, estou batendo palmas por causa do seu lucro vil e o derramamento de sangue em você. Pode sua coragem durar muito, e sua força continuar durante dias quando eu lidar com você? (Ezequiel 22:13-14)

A escuridão que vivemos dentro da clareza exposta, um dia será confrontada e, nesse dia, cairemos ou levantaremos. Então, que vivamos as leis e regras de D'us, pois há vida por intermédio delas.

De fato, não há parte no Reino para quem pratica aquilo que vai contra ao caráter do Altíssimo. Não existe separação para os que pecam contra a Lei de D'us. É sabido que a Lei não pode salvar, uma vez que o favor imerecido da Graça é dom de D'us. Ao mesmo tempo, a Graça nos impõe regras, e regras são MANDAMENTOS, quão paradoxo é o mundo na simplicidade da simples obediência ao Eterno!

Enfim, nas trevas apareceu a Luz, Yeshua é a Luz, Ele foi a manifestação da Torah em carne. NEle, não sou mais eu, mas Ele é em mim. Logo, se estou em Yeshua, estou na Torah, se estou na Torah, eu sou SANTO!

Shalom,

Rubens Rodrigues
18-03-2012

sábado, 17 de março de 2012

O som da minha alma


I HEARD MY SOUL SINGING behind a leaf, plucked the leaf, but then I heard it singing behind a veil, I tore the veil, but then I heard it singing behind a wall, I broke the wall, and I heard it singing against me. I built up the wall, mended the curtain, but I could not put back the leaf. I held it in my hand and I heard my soul singing mightily against me [...]
OUVI MINHA ALMA CANTANDO atrás de uma folha, arranquei a folha, logo ouvi ela cantando atrás de um véu, rasguei o véu, então a ouvi cantando atrás de um muro, quebrei o muro, aí ouvi ela cantando contra mim. Reconstruí o muro, remendei a cortina, mas não pude recolocar a folha. A segurei em minhas mãos e ouvi minha alma cantando poderosamente contra mim[...]
Leonard Cohen, Book of Mercy

O som de meu coração viaja pelos ares da vida na frequência dos Céus. Assim como o retorno daquilo que ele emana reflete ao que dele saiu, logo os sons da minha alma estão sempre cantando dentro de mim.

Quantas vezes não quebramos o que se reconstrói atrás dos instintos de um coração que pulsa pelo ser humano que somos?  Então chega o dia em que arrancamos a delicadeza da vida e a matamos dentro da ambição escondida em objetivos desobjetivados do ser que se chama EU.

Nesse dia, nossa emoção falsamente nos dá a sensação de arrependimento, mas, na verdade, estamos apenas com misericórdia de nós!

Ah Eterno, quero ouvir os sons da minha alma, são canções feitas por Ti. Minha natureza é Sua, somos parte do mesmo Ser. Sua Lei é a partidura que dá ritmo as batidas do meu coração. Yeshua, seu filho, nosso grande maestro que faz a harmonia acontecer e logo estamos todos cantando juntos esperando o som da sua voz.

A minha alma canta e destrói as barreiras do mundo. Seu som se espalha pelos Continentes me fazendo acreditar que posso salvar a todos. Não seria assim, se não fosse por Ti. Que alegria há de viver se não for para acreditar que podemos chegar aos confins da Terra em um espaço pequeno reservado para o cultivo de certos amores que nos faz existir?

Logo olho para trás e espero não ter arrancado a pequena folha de sua raíz. Espero não ter tirado seu nutriente que vem do trono do meu D'us. A força que adquiro não pode ter poder de quebrar os caules da verdade.

Adonai, meu D'us, minha alma canta poderosamente contra mim, então me lave, para que eu possa permanecer plantado à Sua raiz Israel.

B'Shem Yeshua háMashiach

Rubens Rodrigues
17-03-2012